quarta-feira, 11 de abril de 2012

Estouro de Bolha Imobiliária é improvável no Brasil, diz consultora

Com os preços de imóveis em contínua ascensão e a economia do país crescendo, começam a surgir preocupações de que algo pode dar errado em algum momento, mas especialistas do setor imobiliário não acreditam que o mercado imobiliário brasileiro apresentará problemas.


Espanha, Bulgária, Dubai, Irlanda e Estados Unidos cada um teve seu recente boom imobiliário e apresentaram estouro de bolhas imobiliárias, mas Samantha Gore, gerente de vendas da consultoria internacional UV10, especializada em mercado imobiliário brasileiro acredita que não há razão para temores em relação ao mercado imobiliário brasileiro.

"Houve alguns aumentos percentuais significativos de dois dígitos nos preços do imobiliário brasileiro nos últimos anos, mas, em vez de cair, o consenso é o de que os valores terão um caminho mais modesto de crescimento", explicou.

Quando a Reuters entrevistou 15 bancos no final de 2011, nove disseram que os preços dos imóveis subiriam entre 5 e 10% em 2012 e os restantes disseram que iria subir 10%. E, enquanto a maioria concordou que os aumentos de preços irão arrefecer em 2012, nenhum desses especialistas ​acredita que os preços de imóveis no Brasil irão cair.

"Os brasileiros estão comprando casas para morar, não para especular, o que elimina muitos dos fatores que causaram bolhas imobiliárias em outras partes do mundo", disse Gore.

Há temores sobre o crescimento rápido do crédito imobiliário no Brasil, mas é muito improvável que ocorra um problema decorrente de empréstimos tóxicos, como ocorreu com o subprime dos Estados Unidos. Uma razão é que, apesar do crescimento, o mercado hipotecário do Brasil ainda é minúsculo. Segundo a Associação Brasileira de Empréstimo Imobiliário e Poupança, o crédito imobiliário representa apenas 4,8% do PIB contra uma taxa de 95% do PIB nos EUA em 2010. Além disso, os bancos não vão elevar essa taxa rapidamente, e os não residentes ainda estão excluídos do sistema de financiamento imobiliário no Brasil.

Desde 2003, mais de 30 milhões de brasileiros oficialmente entraram na classe média, aumentando sua capacidade de pagar o financiamento da habitação e que isso implica uma maior demanda. Os salários mínimos subiram acentuadamente, programas de habitação social, como Minha Casa Minha Vida tiveram efeito e o desemprego está em um nível mais baixo em décadas - 5%, em comparação com 23% em Espanha.

Aqueles brasileiros que historicamente alugaram casas, agora estão comprando e a demanda é muito grande. As estimativas de déficit habitacional no Brasil é de 10 milhões de casas, de forma que os preços estão naturalmente e razoavelmente se movendo para cima.

Gore destacou que a economia brasileira também está indo bem, após um breve período de contração em 2011, o Banco Central prevê um crescimento do PIB para 3,27% em 2012 e 4,2% em 2013.

A maioria dos especialistas concorda que a Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas de 2016 vai aumentar ainda mais a economia brasileira. Para os investidores imobiliários, seria difícil encontrar essa estabilidade e esse potencial de crescimento em outros lugares", acrescentou Gore.

Fonte: Proprety Wire

2 comentários:

Kleber disse...

Sugiro ler a coluna de Ambrose Evans-Pritchard no Telegraph de Londres, edicao de hoje, 15 de abril 2012.

Um grande abraco

Kleber S.

DUBAY disse...

O estouro da Bolha Imobiliária.
Há algum tempo vimos divulgando que, em função da forte queda nas vendas, muitas construtoras já vinham praticando, de forma velada, descontos que chegavam a 36%.

Muitos leitores nos questionaram, alegando que apesar da queda nas vendas, os preços continuavam altos (o que é verdade). Em nossas explicações, sempre afirmamos que, por uma questão estratégica, os preços continuariam altos, mas que descontos cada vez mais generosos fariam parte da nova realidade do mercado imobiliário.

Porém, com o estouro da bolha (e a completa estagnação do mercado de imóveis), os descontos - que até então eram "informais" -, agora já são parte de uma estratégia de sobrevivência. Prova disso é a promoção da construtora Even. Conhecido como "Even Day", a ação visa desovar mais de mil (isso mesmo, mais de mil) unidades em estoque, numa espécie de "super queimão", com descontos de até 36%.

Num exemplo simples, um imóvel cujo valor de tabela seja de 1 milhão, pode sair por 640 mil. Vale lembrar que este é só o começo de um processo de redução drástica nos preços dos imóveis. Além disso, se uma única construtora (que não figura entre as maiores) possui mais de mil unidades em estoque, imagine todo o mercado? Talvez seja por isso que representantes do setor não tenham recebido bem a estratégia da empresa, fato que, para muitos, escancara de vez a crise do setor.

Demissões confirmam crise na construção
Os trabalhadores da construção civil, que até pouco tempo eram beneficiados por um "apagão" de mão de obra, começam a sentir o impacto da crise imobiliária. Houve retração significativa no ritmo de geração de novas vagas no setor.

No ramo imobiliário, que responde por 40% dos empregos no setor, já há queda efetiva no número de funcionários. Em maio e junho, as construtoras demitiram 2,3 mil pessoas a mais do que contrataram, o que representa uma mudança de tendência.

"Estamos entrando em um cenário de estabilidade da mão de obra", acredita Eduardo Zaidan, vice-presidente de economia do Sinduscon-SP. "Pode ocorrer corte pontual de pessoas, mas entramos em uma fase de crescimento mais modesto", completa.

As famílias estão mais endividadas e adiaram a decisão de comprar a casa própria. Outro fator negativo é a queda dos investimentos das empresas. "A economia parou e o setor acompanhou. O investimento, que é o alimento da construção civil, está baixo", diz Zaidan.

Nesse cenário, obras já contratadas estão sendo finalizadas, mas não são substituídas por novos projetos. O setor também não atravessa uma boa fase. Com o fôlego financeiro prejudicado pela queda das ações na bolsa, as construtoras alongaram o prazo para finalização das obras, o que possibilita trabalhar com equipes menores.

"Obras que estavam com 500 pessoas agora têm 300", conta Antônio de Souza Ramalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracon-SP). Ele diz que o sindicato, que chegou a contabilizar 15 mil vagas em aberto no setor, hoje tem dificuldades para recolocar seus filiados.

Segundo o sindicalista, dois fatores são evidências do desaquecimento do mercado: a queda de 20% na contribuição sindical paga pelos trabalhadores e o aumento do número de homologações. O Sintracon-SP, que fazia 100 rescisões de contrato por dia, não dá conta do número de pedidos diários, que chega a 170.

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